A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef) deu início, nesta terça-feira (15/9), à 2ª turma da oficina "Librário da Justiça: falar com as mãos, ouvir com os olhos", voltada para servidores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A ação educacional é direcionada a profissionais que atuam nas áreas de atendimento ao público, comunicação e acessibilidade.
O propósito é formar multiplicadores internos e desenvolver um baralho institucional em Língua Brasileira de Sinais (Libras), para ajudar na aprendizagem e na fixação do conteúdo. Todo o vocabulário desenvolvido dará origem ao "Librário da Justiça", que será disponibilizado nos seguintes formatos: baralho físico, aplicativo para dispositivos móveis e apostila digital.
A formação possui carga horária de 20 horas, distribuídas ao longo de três encontros presenciais. Nesta 2ª edição do curso, a turma reúne 28 servidores de comarcas do interior do Estado, dando sequência ao trabalho iniciado com 25 participantes da Capital. Foram selecionados servidores de setores estratégicos ligados ao atendimento ao cidadão e à organização de eventos.
A capacitação integra o conjunto de frentes da Ejef para promover a acessibilidade comunicacional, em conformidade com a Resolução nº 401/2021, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e com a Lei nº 10.436/2002, que reconhece os direitos linguísticos e as estruturas gramatical e semântica próprias da Libras.
Librário
O curso é ministrado pela educadora Flávia Neves de Oliveira Castro, doutoranda da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e idealizadora do Librário.
Criada há 12 anos, a partir de pesquisas universitárias, a metodologia acumula aplicações em áreas como saúde, segurança, museus e outras instituições culturais. No âmbito do Poder Judiciário, as aulas conciliam dinâmicas de sensibilização com grupos focais para mapear e registrar visualmente termos do cotidiano forense, como "juiz", "audiência", "processo" e "sentença", que integram o material de estudo.
Ao destacar o engajamento dos participantes e o caráter colaborativo na construção do jogo de baralho, a educadora Flávia Neves apontou a troca de conhecimentos no início do curso na Ejef:
"Com a primeira turma foi uma experiência muito enriquecedora; as pessoas contribuíram muito com a proposta desde o início. Assim, acredito que será o mesmo nessa turma. A receptividade com a Libras foi muito boa. É uma cocriação: nós vamos criar juntos esse vocabulário, que se tornará o baralho. Alguns já tinham experiência com atendimento ao público surdo, então foi um ajudando o outro."
Ao refletir sobre a importância de tratar de práticas diárias de atendimento no Sistema de Justiça, a idealizadora do projeto ressaltou a dimensão social e o impacto duradouro da iniciativa:
"A Libras, assim como todos os tipos de acessibilidade e de inclusão, é um direito das pessoas e, por isso, não deve ser banida de forma alguma. As leis e as regulações existem, mas é fundamental que todos os setores da sociedade pensem em mecanismos para trazer isso para a prática, como está fazendo o TJMG, tornando o Direito realmente factível no dia a dia."
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