Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Desembargador Wagner Wilson participa de sua última sessão na 19ª Câmara Cível

Com 39 anos de atuação no Judiciário, magistrado recebeu homenagens


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A sessão desta quinta-feira (24/9) da 19ª Câmara Cível foi marcada por homenagens ao desembargador Wagner Wilson, que se aposenta no dia 30/9 (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O Auditório do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) registrou a emoção, na tarde desta quinta-feira (24/9), de desembargadores, juízes, servidores, colaboradores, procuradores, advogados, conselheiros de Justiça e familiares que homenagearam o desembargador Wagner Wilson Ferreira em sua última sessão da 19ª Câmara Cível (19ª Caciv). Prestes a completar 40 anos na carreira da magistratura, o magistrado se despede do Judiciário mineiro em virtude de sua aposentadoria no dia 30/9.

Ao abrir a sessão, com a voz visivelmente emocionada, o ex-presidente do TJMG e presidente da 19ª Caciv, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, compartilhou sua história ao lado do colega de mais de 20 anos de magistratura. Além de atuarem como juízes no Fórum Lafayette, na Comarca de Belo Horizonte, foram empossados como desembargadores do TJMG, em 2006, e atuaram juntos na 15ª e na 16ª Câmaras Cíveis e, atualmente, na 19ª Caciv.

“As pessoas dizem, como pais, que não têm um filho predileto, mas eu tenho um irmão, um amigo predileto. Estou com certa dificuldade para falar porque, em uma solenidade como essa, não há como separar a parte pessoal da profissional. A gente também não consegue separar o magistrado do homem, da pessoa. Wagner, a sua trajetória é brilhante. Deixa uma história que não será apagada.”
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Entre os magistrados que prestaram homenagens estavam o presidente Vicente de Oliveira Silva e o ex-presidente do TJMG e presidente da 19ª Caciv, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes (dir.) (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, citou o discurso proferido pelo desembargador Wagner Wilson ao tomar posse como 2º vice-presidente da Corte mineira, em julho de 2016. Ao falar do "conflito" entre justiça e misericórdia presente no discurso do então empossado, o presidente destacou a trajetória do magistrado:

“Um percurso de quase 40 anos, no qual a distribuição da justiça se fez com amor e compaixão.”

O desembargador Vicente de Oliveira Silva agradeceu o legado humanista e vocacionado que o desembargador Wagner Wilson deixou no Judiciário e reforçou as características de “magistrado de carreira inatacável, que acumula experiência no campo do Direito e na vida, colega gentil e sábio”.

Parceria e sensibilidade

Além do presidente do TJMG, a solenidade foi prestigiada por todos os integrantes da Direção no biênio 2026-2028. Cada um resgatou momentos de aprendizado sobre o ofício da magistratura ao lado do desembargador homenageado.

O 2º vice-presidente e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), desembargador Manoel dos Reis Morais, falou da época em que conheceu o desembargador Wagner Wilson, quando atuava como juiz na Comarca de Brasília de Minas e o homenageado era juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ) de Minas Gerais.

Emocionado, o 2º vice-presidente compartilhou:

“Ali recebi uma aula de grandeza. Aprendi com ele que a autoridade vem da bondade.”

Anos depois, em 2016, o desembargador Manoel dos Reis foi superintendente-adjunto da Ejef, na Superintendência do desembargador Wagner Wilson:

“Wagner conseguiu algo que não se consegue com facilidade: a unidade de entendimento sobre a pessoa dele. Sem voto vencido e sem ressalva de entendimento. Ele é um juiz que serviria de parâmetro para todos os juízes do Brasil.” 

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Integrante do Programa de Formação Continuada Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil prestando homenagem ao desembargador Wagner Wilson (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O corregedor-geral de Justiça, desembargador Raimundo Messias Júnior, também destacou as características do homenageado como auxiliar da CGJ:

“Sempre com a palavra correta por meio de sua maneira afável.”

Ele também falou sobre o trabalho do desembargador Wagner Wilson na área da infância e da juventude:

“A sua generosidade e a semente plantada com a Orquestra Jovem serão eternamente lembradas como sinal de quem trouxe para aquelas crianças um sopro de vida e, para todos nós do Tribunal de Justiça, um exemplo de como devemos olhar para os nossos semelhantes.”

Companheiro de sessões na 19ª Câmara Cível e vizinho de gabinete, o superintendente administrativo adjunto do TJMG, desembargador André Leite Praça, afirmou, emocionado, que as marcas do trabalho do homenageado vão além dos processos:

“Falo como colega de Câmara, mas também como alguém que teve o privilégio de conviver muito de perto, em especial durante os últimos 14 anos. Encontrei nele uma orientação segura e, em certas situações, algo igualmente valioso: a disposição de simplesmente ouvir. Sua trajetória na magistratura merece todo o reconhecimento, assim como sua dedicação ao Direito das Crianças e dos Adolescentes, campo tão exigente de conhecimento e sensibilidade.”

Durante a sessão, foi exibido o vídeo abaixo sobre a atuação do desembargador Wagner Wilson como coordenador do Programa de Formação Continuada Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil do TJMG:

Convivência 

A sessão contou com a presença de todos os colegas da 19ª Caciv. Entre eles, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, que destacou a forma como o desembargador Wagner Wilson é reconhecido pelos colegas:

“Implacável, obstinado, intransigente nas posições e, acima de tudo, apaixonado pela causa da Justiça.”

O juiz convocado Marcus Vinícius Mendes do Valle ressaltou a importância de bons exemplos:

“Nós, como juízes que estamos na caminhada na magistratura, precisamos muito de bons exemplos, que representam o magistrado justo, humilde e dedicado.”
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Magistrados que compõem a 19ª Câmara Cível entregaram uma placa em homenagem ao colega, que se aposenta no dia 30/9 (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Aprimoramento da jurisdição

Também prestigiaram a sessão o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior; o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), conselheiro Durval Ângelo; a presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), juíza Rosimere das Graças do Couto; e o juiz auxiliar da Presidência do CNJ José Gomes de Araújo Filho.

O procurador de Justiça Olavo de Moraes Freire, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que atua na 19ª Câmara Cível, participou por videoconferência e destacou a qualidade de liderança do desembargador Wagner Wilson como ato de serviço ao outro:

“Vi no desembargador Wagner essas características e tive a curiosidade de anotar algumas qualidades: paciência, bondade, humildade, respeito, abnegação, perdão, honestidade e, sobretudo, o compromisso. Receba um fraterno abraço, em meu nome e em nome do Ministério Público de Minas Gerais.”

O ex-presidente do TJMG desembargador Geraldo Augusto afirmou que a aposentadoria era apenas um ato formal de desligamento da atividade direta, mas o exemplo e o legado do colega ficarão:

“Com a lealdade que empresta a tudo o que faz, o desembargador Wagner Wilson continuará na atividade indireta, no serviço de prestar justiça em qualquer circunstância que se apresente. O que fez não passou nem passará. Permanece e permanecerá, não apenas na lembrança, mas de forma objetiva, nos reflexos e nas consequências de seus atos funcionais, de cada decisão que proferiu e que se estende no tempo em benefício do cidadão.”

Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil

Um dos momentos de maior emoção no Auditório do Tribunal Pleno ocorreu quando crianças e adolescentes da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil apresentaram, sob a condução da maestrina Luciene Villani, composições como “Vira Virou”, “Trem-Bala” e o Hino do Clube Atlético Mineiro, time do coração do homenageado.

Em nome dos integrantes do programa, a aluna Ana Júlia Diniz Silva disse que, "talvez, o desembargador Wagner Wilson nunca consiga saber quantas histórias ajudou a mudar", ressaltando que a oportunidade dada a uma criança alcança toda a família e atravessa gerações:

“Cada menino e menina encontrou aqui um instrumento, uma oportunidade, novos amigos, novos sonhos, e começou a enxergar para si um futuro diferente. Muito antes de a Orquestra existir, o senhor acreditou em tudo isso. Defendeu o programa quando foi preciso defender, cuidou quando foi preciso cuidar e permaneceu por perto para vê-lo crescer. Assim se mede a grandeza de uma caminhada, não apenas pelos lugares a que conseguimos chegar, mas pelas pessoas que conseguimos tocar.”

O desembargador Wagner Wilson foi o criador do programa em 2011. No vídeo abaixo, ele falou sobre como nasceu a ideia da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil, reconhecidos em Minas Gerais pelo atendimento e pela formação musical de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social:

Legado permanente

Ao representar os colegas que atuam no Gabinete do desembargador Wagner Wilson, a assessora judiciária Patrícia Paoliello, que o acompanha há 25 anos, destacou a relação do magistrado com os servidores:

“Casos terminam, gabinetes mudam e processos acabam, mas o que a gente deixa nas pessoas fica para sempre. Hoje, o doutor Wagner não está saindo das nossas vidas porque, há muito tempo, ele deixou de ser apenas o nosso chefe e virou nosso amigo.”

Em seu discurso de agradecimento, o desembargador Wagner Wilson citou, nominalmente, a contribuição de cada companheiro de trabalho, destacando que nenhuma carreira é construída de forma individual.

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Equipe do Gabinete do desembargador Wagner Wilson destacou a atuação humana e próxima do magistrado (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Entre as histórias emocionantes de legado, os filhos do magistrado também contribuíram com depoimentos. Rodrigo Eustáquio Favato Ferreira, que é juiz titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Betim, falou sobre os exemplos de trabalho, de comprometimento, de integridade e de humildade transmitidos pelo pai. 

Ele ressaltou a forma como o pai é exemplo de magistrado e que o encerramento da carreira não representa o fim da trajetória:

“A aposentadoria não deve ser a porta fechada, mas a janela aberta. A vida continua cheia de possibilidades e de oportunidades para você usufruir, sendo agraciado por ter saúde física e intelectual. Todos nós vamos passar por isso, mas nem todos vão deixar a marca que você deixou.”
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O filho do homenageado, juiz Rodrigo Eustáquio Favato Ferreira, disse que se espelha nos exemplos do pai para seguir na carreira da magistratura (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

A filha do homenageado, Carina Estephany Favato Ferreira Juste, mencionou de que maneira a história profissional do pai se cruzou com suas histórias de vida. Segundo ela, o desembargador Wagner Wilson recebeu a notícia de que havia sido aprovado no concurso da magistratura no dia em que ela nasceu, em 15/4 de 1987.

A defensora pública da União enfatizou que o pai nunca lidou com o cargo como posição de poder:

“Sempre acreditou que o bom magistrado não se apaixona pela visibilidade, mas busca o justo; não confunde autoridade com exibição, não transforma o cargo em palco e não se encanta mais com a vaidade do que com a verdade dos fatos.”

Trajetória

Antes de ingressar na magistratura, o desembargador Wagner Wilson atuou como advogado por 12 anos.

Como juiz, passou pelas Comarcas de Passatempo, na região do Campo das Vertentes; Prata, no Triângulo Mineiro; e Passos, no Sudoeste do Estado. Retornou a Belo Horizonte em 1995, atuando na Comarca da Capital até 2006. Foi também juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça, titular da 5ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal, juiz da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e da 33ª Zona Eleitoral.

O olhar para a infância e para a juventude já estava presente na 1ª Instância, ao ocupar também os cargos de superintendente da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) de 1997 a 2001, além de juiz integrante do Ceja com direcionamento para a adoção internacional.

Assumiu a cadeira de desembargador do TJMG em 2006, onde permaneceu por 20 anos. Na 2ª Instância, foi superintendente da Coordenadoria da Infância da Juventude (Coinj) entre 2011 e 2016, além de 2ª vice-presidente e superintendente da Ejef no biênio 2016-2018.

Ao resgatar momentos marcantes da carreira, o desembargador Wagner Wilson falou sobre como enxergava a relevância dos casos nos quais atuou:

“Aqui eu entendi que a magistratura é uma missão e, para mim, todos os casos foram muito importantes.”

O magistrado também comentou sobre os temas da Infância e Juventude. Ouça o depoimento:

Confira outras imagens da sessão no Flickr oficial do TJMG.

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