Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Comarca de BH prepara estrutura especial para um dos maiores júris populares da história

Júri da "Chacina de Ribeirão das Neves", com oito réus, deve ouvir 54 testemunhas em dez dias de sessões


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Para receber o julgamento, um plenário será readaptado no Fórum Cível e Fazendário da Raja Gabáglia e vai contar com estrutura especial de segurança e logística (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Uma estrutura especial está sendo preparada pela Justiça para receber, a partir de 23/11, uma das maiores sessões de júri popular já realizadas em Belo Horizonte. O caso conhecido como "Chacina de Ribeirão das Neves" foi desaforado da Comarca da Região Metropolitana para a da Capital e deve reunir oito réus, 54 testemunhas e cerca de 25 advogados, além de representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e quatro assistentes de acusação. 

A previsão é de que o julgamento se estenda por cerca de dez dias. Para receber o Tribunal do Júri, um plenário será readaptado no Fórum Cível e Fazendário de Belo Horizonte, na avenida Raja Gabáglia. Também haverá esquema especial de segurança e de logística. 

O planejamento da Direção do Foro de Belo Horizonte inclui reforço policial e de escolta, controle de acesso e medidas específicas para garantir a segurança de acusados, jurados, testemunhas, vítimas, advogados e demais participantes. A possibilidade de participação por videoconferência também está prevista para situações específicas.

Foram convocadas 120 pessoas para a seleção de jurados, dentre as quais serão sorteadas as sete pessoas responsáveis por formar o Conselho de Sentença que julgará os acusados. 

A quantidade de envolvidos e a previsão de um julgamento com duração de cerca de dez dias exigiram planejamento específico para acomodação, circulação e segurança de todos os participantes.

A chacina

O crime ocorreu durante uma festa de aniversário de uma criança de 9 anos no bairro Areias de Baixo, em Ribeirão das Neves. O ataque foi em 23/5 de 2024. Segundo o processo, dois homens armados invadiram a festa e atiraram contra os convidados. Três pessoas foram mortas. 

O alvo do ataque, segundo a investigação, seria Felipe Júnior Moreira Lima, de 26 anos, pai do aniversariante. Ele foi atingido por 12 disparos e morreu. O filho dele, Heitor Felipe Moreira de Oliveira, foi atingido por quatro disparos e também faleceu. Heitor era jogador das categorias de base do Atlético-MG e do América.

A prima da criança, Layza Manuelly de Oliveira, de 11 anos, foi atingida por dois disparos e também morreu.

Além dos três mortos, seis pessoas ficaram feridas, entre elas uma adolescente de 13 anos, a mãe dela, de 41, e uma jovem de 19 anos. As três foram socorridas para o Hospital Risoleta Neves.  

Desaforamento

O MPMG sustenta que o ataque teria sido motivado por disputas relacionadas ao tráfico de drogas. A Justiça entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que os acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri.

O julgamento chegou a ser programado para ocorrer em Ribeirão das Neves, em abril deste ano, mas foi transferido para Belo Horizonte por meio do chamado desaforamento. A transferência se deu diante de questões como a garantia de imparcialidade dos jurados. 

O processo tramita em segredo de Justiça.

Os números do julgamento:

  • Oito réus
     
  • Nove vítimas (três mortos e seis feridos)
     
  • 54 testemunhas previstas
     
  • 25 advogados previstos
     
  • 120 jurados convocados para a etapa de seleção
     
  • Duração estimada de 10 dias
     

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