O Auditório do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), acostumado a julgamentos e acordos históricos, foi palco, nesta segunda-feira (28/9), de uma apresentação que destacou um dos mais genuínos gêneros musicais brasileiros: o chorinho, executado em alto e bom som por integrantes da Orquestra Jovem do TJMG e pelo Grupo Arreda o Passo.
A apresentação inédita, combinando música erudita e choro, faz parte das homenagens ao desembargador Wagner Wilson Ferreira, coordenador do Programa Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil, que se aposenta no dia 30/9.
O repertório do “Concerto Especial Chorinho” trouxe canções que acompanharam a trajetória do desembargador, que é apreciador do choro e do bandolim.
Durante uma hora, o público se deleitou com sucessos de ícones do choro, como Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Zequinha de Abreu e Ernesto Nazareth. Entre as várias interpretações, destaque para “Carinhoso”, “André de Sapato Novo”, “Noites Cariocas”, “Tico-Tico no Fubá”, “Assanhado”, “Lamentos” e “Brejeiro”.
A Orquestra Jovem do TJMG apresentou os arranjos preparados por Fred Natalino especialmente para a ocasião. Os músicos foram acompanhados pelos choristas Barbeira (bandolim), Rafael Manteiga (cavaquinho) e Júlio Ponzo (pandeiro), que também é professor de percussão na Orquestra do TJMG. O violão de sete cordas foi tocado por Agostinho Paolucci, que substituiu o titular Marcos Pimenta, em turnê por Portugal.
Legado
O presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, agradeceu a presença dos músicos e ressaltou o trabalho do desembargador Wagner Wilson em prol da cultura:
“Ele, Wagner Wilson, foi o grande responsável pelo crescimento e consolidação da Orquestra Jovem da Corte Mineira. Agora, ele está se despedindo da magistratura, mas deixa um legado de muita alegria, com um trabalho que deu visibilidade a muitos jovens da periferia. Esperamos que este trabalho continue revelando talentos musicais.”
O homenageado da noite, desembargador Wagner Wilson, destacou o papel da Orquestra e o amor pela música:
“Meu pai era bandolinista e adorava o choro. O sonho dele era que eu me tornasse músico, mas nem todo mundo tem esse dom, embora eu tenha tentado. Agradeço a mais esta homenagem, colocando em prática uma apresentação que fazia parte de um projeto antigo. Fico muito feliz pelo fato de a Orquestra Jovem ter ido além do nosso propósito, que era dar visibilidade aos mais vulneráveis. Além da visibilidade, conseguimos formar novos músicos.”
Novos arranjos
A maestrina da Orquestra Jovem, Luciene Villani, explicou o encontro inédito com o Grupo Arreda o Passo:
“Fizemos esta mistura entre a orquestra e o choro e deu certo, com arranjos especialmente preparados para esta apresentação. A presença dos músicos do Grupo Arreda o Passo proporcionou um colorido diferente e essencial à apresentação. Espero que esta parceria seja a primeira de muitas, e estamos prontos para outros desafios.”
O bandolinista Barbeira comentou a presença em um palco inusitado:
“Somos um grupo formado, no pós-pandemia, por professores de música. Já nos apresentamos em diversos lugares, mas em um tribunal foi a primeira vez. Foi uma grande satisfação tocar ao lado de uma orquestra. Os dois gêneros apresentam linguagens diferentes, mas se complementam. O choro precisa de destaque, é uma linguagem que proporciona serenidade a quem escuta. Deveria ser mais valorizado na educação das crianças.”
Além de familiares do desembargador Wagner Wilson, prestigiaram o concerto magistrados, servidores e colaboradores do TJMG.
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