Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

STF acolhe propostas da Ejef para modernização do Judiciário

Iniciativas apresentadas unem cooperação, cidadania e acesso à Justiça


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O Centro de Estudos Constitucionais do Supremo Tribunal Federal (Cestf) recebeu, no mês de agosto, contribuições da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef/TJMG) para o Edital nº 6/2026, que coleta subsídios voltados à modernização do Sistema de Justiça brasileiro.

Encaminhadas pela juíza auxiliar da 2ª Vice-Presidência do TJMG, Aline Damasceno Pereira de Sena, as seis propostas desenvolvidas por magistrados e assessores do Tribunal de Justiça mineiro abordam temas como cooperação judiciária, desjudicialização da saúde suplementar, processo tributário, estabilização de tutelas provisórias, superendividamento e educação para a cidadania.

Criado no final de 2025, o Cestf tem como objetivo consolidar um espaço de produção e difusão de conhecimento acadêmico em Direito, estimulando pesquisas, formações, publicações e cooperação nacional e internacional. A participação da Ejef no edital reflete o amadurecimento da Escola como centro de produção de conhecimento aplicado ao Poder Judiciário, em sintonia com a missão do Centro de Estudos Constitucionais.

A consulta pública do STF, aberta por meio do edital, busca mapear soluções inovadoras, replicáveis e de baixo ou nulo impacto fiscal, com o objetivo de aprimorar a prestação jurisdicional em todo o País. Em resposta, a Ejef estruturou um conjunto de propostas que dialogam com os principais gargalos do sistema, aliando tecnologia, governança de dados e métodos autocompositivos.

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A juíza auxiliar da 2ª Vice-Presidência do TJMG, Aline Damasceno Pereira de Sena (Crédito: Euler Júnior / TJMG)

Seis propostas para um Judiciário mais eficiente

  • A primeira proposta, desenvolvida pelo juiz de Direito Rodrigo da Fonseca Caríssimo, como membro do Grupo de Cooperação Judiciária Nacional Ejef/TJMG, trata da iniciativa que sugere a celebração de acordos e atos concertados entre juízos de diferentes ramos da Justiça – Estadual, Federal e do Trabalho –, além da articulação com o Ministério Público, a Defensoria Pública, a OAB e entes públicos. A proposta também valoriza a flexibilização procedimental, com base nos arts. 139, VI, e 190 do Código de Processo Civil, permitindo a adequação do rito processual às particularidades de cada caso.

  • A segunda proposta, de autoria da juíza de Direito Ana Kelly Amaral Arantes, como membra do Grupo de Estudo de Direito à Saúde Ejef/TJMG, propõe a Desjudicialização da Saúde Suplementar por meio de um projeto-piloto de conciliação pré-processual no Juizado Especial Cível de Belo Horizonte. A medida busca enfrentar o volume expressivo de litígios na área – estimado em 400 mil novos processos por ano entre 2015 e 2021 –, oferecendo uma via administrativa de resolução de conflitos antes do ajuizamento, com aproveitamento das estruturas já existentes no Tribunal.

  • O Processo Judicial Tributário é tema da terceira proposta, do juiz de Direito Murilo Sílvio de Abreu, como membro do Grupo de Estudo de Processo Judicial Tributário Ejef/TJMG. Com a promulgação da Reforma Tributária (EC nº 132/2023), que instituiu o IBS e a CBS, a proposta defende a criação de Núcleos Regionais de Justiça 4.0 compartilhados entre juízes estaduais e federais. O modelo busca conferir previsibilidade e estabilidade jurídica ao novo sistema tributário, utilizando inteligência analítica de dados e processos virtuais, sem criar instâncias de jurisdição.

  • A quarta proposta, desenvolvida pela juíza de Direito Daniella Nacif de Sousa, como membra do Grupo de Estudo de Tutelas Provisórias Ejef/TJMG, aborda a Estabilização de Tutelas Provisórias (arts. 303 e 304 do CPC). O diagnóstico aponta entraves práticos na aplicação do instituto, como interpretações conflitantes e falhas na clareza dos fluxos eletrônicos de intimação. A solução sugerida inclui a uniformização de orientações pelo CNJ e tribunais superiores, o desenvolvimento de fluxos eletrônicos inteligentes e a consolidação de banco de dados de precedentes, com protocolos diferenciados para direitos indisponíveis e vulneráveis.

  • A quinta proposta, do juiz de Direito Clayton Rosa de Resende, como membro do Grupo de Estudos da Lei de Superendividamento Ejef/TJMG, refere-se ao Tratamento do Superendividamento. A Lei nº 14.181/2021 criou o microssistema de repactuação global de dívidas, mas a prática tem sido esvaziada pela participação meramente protocolar de credores em audiências. A proposta sugere regulamentação nacional que exija participação qualificada nas conciliações, com poderes de desconto e transação; notificação com advertências expressas; aplicação rigorosa da suspensão da exigibilidade do débito; e fortalecimento dos Cejuscs com equipes especializadas e plataformas digitais para troca de propostas.

  • A sexta e última proposta, de autoria da servidora Jênifer Rosa de Oliveira, como membra do Grupo de Estudos Direito, Comunicação e Poder Judiciário Ejef/TJMG, defende a criação de uma Política Nacional de Comunicação e Educação para a Justiça. Inspirada no programa “Conhecendo o Judiciário”, que há 25 anos aproxima o TJMG da sociedade, a iniciativa propõe diretrizes nacionais para que tribunais de todos os ramos mantenham programas permanentes de interlocução com escolas, associações e faculdades. A proposta também prevê o uso de linguagem simples, tecnologia multimídia, canais acessíveis a vulneráveis e indicadores para medir o nível de conhecimento da população sobre seus direitos.

Metodologia e impacto das propostas

Todas as iniciativas foram desenvolvidas com foco em replicabilidade e baixo ou nulo impacto fiscal, conforme exigência do edital do Cestf.

A curadoria exercida pela juíza Aline Damasceno Pereira de Sena, que reuniu e organizou os trabalhos dos diferentes autores, garantiu a integração entre as frentes, que dialogam com os eixos temáticos do edital, como simplificação processual, modernização da gestão judiciária, redução da litigiosidade excessiva, transformação digital e transparência pública.

A recepção das propostas pelo Supremo Tribunal Federal fortalece o papel da Ejef como centro de referência em pesquisa e produção de conhecimento aplicado ao Sistema de Justiça, além de consolidar a contribuição do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para o debate nacional sobre a modernização do Judiciário.

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