Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Comarca de Uberaba usa automação para gestão compartilhada de tarefas

Prática foi reconhecida pelo CNJ, no 3º Prêmio de Inovação do Poder Judiciário


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Equipes da Secretaria e do Gabinete da 5ª Vara Cível da Comarca de Uberaba responsáveis pelo projeto "Justiça digital e gestão compartilhada de tarefas" (Crédito: Divulgação / TJMG)

A 5ª Vara Cível da Comarca de Uberaba, no Triângulo Mineiro, desenvolveu modelo de gestão judicial conectando os times de Secretaria e Gabinete em uma gestão compartilhada, voltado para a otimização do acervo processual. Intitulado “Justiça digital e gestão compartilhada de tarefas”, o projeto foi uma das quatro iniciativas do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reconhecidas no 3º Prêmio de Inovação do Poder Judiciário, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conquistando o "Selo Judiciário Inovador".

O projeto se concentrou no redesenho de processos internos das unidades judiciárias com uso da Inteligência Artificial (IA), por meio do Assistente TJMG, e automações do sistema de processo judicial eletrônico eproc.

Ao otimizar o fluxo processual, foi adotado um modelo de automação e integração de tarefas por meio do “Power Automate Desktop” e do eproc para configurar os fluxos dentro do próprio sistema, além do uso de dados do “Assistente TJMG”. São usados recursos que permitem resumir peças, organizar informações relevantes e auxiliar na elaboração de minutas. A ferramenta também oferece uma biblioteca de prompts e agentes jurídicos.

Na prática, a mudança envolveu toda a equipe de Secretaria e Gabinete, redistribuindo tarefas como triagem de novas ações, conferência de documentos, identificação de pendências, expedição de atos e apoio à elaboração de minutas de despachos e sentenças de forma integrada, como explicou o gerente de Secretaria da 5ª Vara Cível da Comarca de Uberaba, Elci Oliveira Júnior:

“As tarefas passaram a ser distribuídas com rodízio e organização por dígitos dos processos, aproveitando a formação e a experiência de cada servidor, apoiado por um estagiário. Ao analisar uma petição, o profissional precisa compreender o pedido, localizar os documentos relevantes, verificar o que já foi decidido e identificar a providência adequada. A nova divisão de tarefas ampliou o espaço para desenvolver essas habilidades e o pensamento crítico, com atenção ao uso seguro e responsável da IA.”

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Para Elci Oliveira Júnior, a gestão compartilhada, além de distribuir atividades de análise, desenvolveu letramento digital do time (Crédito: Divulgação / TJMG)

Reflexos

Além da redução do acervo processual, a iniciativa favorece a visão sistêmica da equipe, possibilitando a dedicação da equipe em atividades complexas.

Entre os resultados do novo modelo de trabalho, por meio do projeto-piloto “Mutirão de iniciais”, foram analisados 428 processos em 12 dias úteis, gastando duas horas diárias de jornada, sem prejuízo das demais atividades da Secretaria. A iniciativa resultou na redução de 19,78% do acervo que aguardava apreciação no Gabinete nesse período.

Na avaliação do coordenador do Comitê de Inteligência Artificial do TJMG, juiz Rafael Niepce Verona Pimentel, a iniciativa acabou com a separação estrutural entre Secretaria e Gabinete:

“Essa experiência gerou uma profunda mudança cultural. Os servidores, assistentes e estagiários passaram a ser agentes efetivos, com atuação direta em tarefas intelectuais de triagem, análise processual e elaboração de minutas de despacho, decisão e sentença, sempre dentro da competência de cada perfil. O redesenho do fluxo de trabalho permitiu uma atuação coordenada entre a inteligência humana e a artificial, ampliando as capacidades humanas na execução de tarefas repetitivas e nas intelectuais.”

A gestão compartilhada de tarefas possibilitou também a migração de 100% das ações elegíveis do sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) para o eproc, já com automações e preferências previamente configuradas.

A 5ª Vara Cível da Comarca de Uberaba também foi habilitada para participar do Programa Unidade Automatizada e Integrada no sistema eproc (UAIE), iniciativa voltada para a consolidação, o aperfeiçoamento e a ampliação das automações.

Na avaliação do juiz titular da 5ª Vara Cível da Comarca de Uberaba, Nilson de Pádua Ribeiro Júnior, os reflexos do projeto também favorecem o jurisdicionado:

“Para o jurisdicionado, a virada tecnológica ganha sentido quando deixa de representar apenas uma mudança de ferramentas e passa a repercutir na forma como os procedimentos cíveis são geridos, com reflexos concretos na efetivação de direitos fundamentais, especialmente no acesso à Justiça e na duração razoável do processo. Ao reorganizar a gestão dos fluxos de trabalho, reduzir tarefas repetitivas e diminuir os períodos de espera entre as etapas processuais, nossa Unidade Judicial busca fazer com que o cidadão receba uma resposta em tempo adequado, com fundamentação consistente e linguagem compreensível.”

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Segundo o juiz Nilson de Pádua, a nova rotina também ampliou a troca de conhecimentos e a compreensão de diferentes etapas do processo (Crédito: Divulgação / TJMG)

Design thinking

O projeto, que surgiu em 2024 em resposta ao crescimento do acervo no período pós-pandêmico, teve duração inicial de seis meses a partir de duas abordagens: design thinking e gestão participativa. A equipe da Comarca de Uberaba, com acompanhamento do Grupo Executivo Negocial e de Governança em Inteligência Artificial (Gex-IA), participou de uma formação na Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef) e na Unidade Avançada de Inovação em Laboratório (UAILab) do TJMG.

Em seguida, ao cruzar os conhecimentos com o contexto da unidade jurisdicional, foi construída uma solução inicial, testada no “Mutirão de iniciais”. A experiência funcionou como produto mínimo viável (MVP), permitindo avaliar os resultados para ser incorporada à mudança da rotina.

Leia mais sobre essa e as outras três iniciativas do TJMG reconhecidas pelo CNJ clicando aqui.

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