Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Ejef realiza abertura de curso sobre superendividamento

Evento foi realizado no Auditório do Tribunal Pleno do TJMG


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Evento de abertura do curso “Superendividamento: aspectos práticos e procedimentais – Turma 1/2026” foi realizado no Auditório do Tribunal Pleno do TJMG (Crédito: TJMG / Divulgação)

A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), em parceria com a 3ª Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG), promoveu, nesta terça-feira (9/6), a abertura do curso “Superendividamento: aspectos práticos e procedimentais – Turma 1/2026”, no Auditório do Tribunal Pleno do TJMG, em Belo Horizonte. A íntegra do evento pode ser conferida no canal oficial da Ejef no YouTube.

O curso abrange quatro temas: Entendendo o superendividamento; Marcos legais e paradigmas; Técnicas específicas de mediação em superendividamento; e A prática na mediação em superendividamento.

No evento de abertura, o 3º vice-presidente do TJMG e superintendente de Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesses (Sutrac), desembargador Rogério Medeiros, representando o presidente da Corte mineira, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, destacou a parceria com a OAB-MG:

“É muito importante que a advocacia já esteja empenhada em também atuar em mediações, conciliações e Justiça Restaurativa, como também onde houver litígios. Ela é indispensável e muito importante no desenrolar dos procedimentos.”

Sobre o tema do curso, o magistrado ressaltou que se trata de uma patologia social, não só no Brasil, mas no mundo inteiro:

Nós temos um cenário, no caso brasileiro, de crise econômica, um pouco crônica, de desemprego e de pessoas se endividando, sobretudo os mais idosos, que têm aposentadoria. Filhos e netos assumem dívidas em seus nomes. Mas temos também a questão das bets, as plataformas de jogos virtuais.”

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Segundo o 3º vice-presidente do TJMG, desembargador Rogério Medeiros, o superendividamento é uma patologia social (Crédito: Pollyanna Bicalho / TJMG)

Diálogo

Em sua palestra, o juiz auxiliar da Comarca de Belo Horizonte e presidente do Fórum Nacional de Mediação e Conciliação (Fonamec), Juliano Carneiro Veiga, disse que o evento foi idealizado como uma proposta de diálogo sobre superendividamento diretamente com os advogados, “que têm esse contato inicial com o tema, com os consumidores superendividados e precisam realizar essa escolha estratégica, de como canalizar essa demanda”.

Segundo ele, quando os superendividados buscam a ajuda de um advogado, é porque “a situação já está mais do que caótica”, e muitos recorrem a agiotas para resolver o problema:

“Quando chegam para buscar ajuda, a situação está por demais comprometida. Cabe a cada um dos senhores e das senhoras fazer essa escolha, de como canalizar essa demanda para trazer uma resposta adequada e o mais célere possível. A situação compromete a subsistência digna, não só do consumidor, mas de todo seu núcleo familiar.”

Para o juiz Juliano Carneiro Veiga, como existe uma dificuldade de se dar uma resposta adequada a esse tipo de demanda judicial, o foco do superendividamento precisa estar na pessoa e não no contrato, “uma vez que discutir cláusulas contratuais não vai resolver o problema do consumidor”:

“É preciso abrir os horizontes e trocar as lentes, para primeiro compreendermos esse fenômeno, de maneira não preconceituosa e sem prejulgamentos. Deve-se compreender o problema, acolher de maneira humanizada aquele que está passando por essa situação e canalizar para os meios adequados para tratar o problema. A lei traz duas frentes, uma de prevenção e outra de tratamento.” 

Ele falou ainda sobre o mapa da inadimplência no Brasil, que “atingiu índices históricos, com a maior taxa de endividamento de todos os tempos”:

“Dados do Serasa apontam que existem 83,3 milhões de inadimplentes no Brasil. Indicando que mais de 50% da população adulta brasileira está inadimplente ou com o nome negativado em seus cadastros.”

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O juiz Juliano Carneiro Veiga destacou que o cenário do superendividamento é “caótico” e propõe “um olhar humanizado” (Crédito: Pollyanna Bicalho / TJMG)

Procon

Outro palestrante da abertura do curso foi o advogado e professor Bruno Burgarelli, que falou sobre casos que atendeu durante sua atuação no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Belo Horizonte:

“Esses dados [do Serasa] não mudaram nos últimos 25 anos, desde a nossa época de Procon. A gente percebe que o maior problema que chega aos órgãos de proteção ao consumidor se refere a dívidas.”

Segundo ele, outro problema diz respeito ao preconceito contra o endividado ou superendividado, que, muitas vezes, é tratado como “caloteiro”:

“A gente abria o jornal e via que o calote diminuiu ou o calote aumentou, colocando todo endividado como caloteiro. Engraçado, onde está a origem dessa dívida? Ninguém discute. Pelo menos, não discute de forma profunda. Na verdade, nós também temos pesquisa sobre isso. Aqueles que agem de má-fé são em torno de 3% dos endividados.”

Mesa de honra

A mesa de honra da abertura foi composta pelo 3º vice-presidente do TJMG e superintendente da Sutrac, desembargador Rogério Medeiros, representando o presidente Corrêa Junior; pelo juiz auxiliar da 1ª Vice-Presidência do TJMG, Armando Ghedini Neto, representando o 1º vice-presidente e superintendente judiciário da 2ª Instância, desembargador Marcos Lincoln dos Santos; pelo presidente do Fonamec, juiz Juliano Carneiro Veiga; pela gerente de Planejamento e Desenvolvimento Pedagógico (Geped) da Ejef, Inah Maria Szerman Rezende, representando a Escola Judicial; pela diretora do Núcleo de Mediação e Conciliação (Numec) e diretora das Comissões da OAB-MG, Helena Delamônica, representando o presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun; e pela advogada conselheira do Fundo Estadual de Defesa do Consumidor de Minas Gerais, Lilian Salgado.

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